segunda-feira, 7 de março de 2011

Noite



Acho que todos devem ter um lugar que se torna memorável por alguma razão, e tem um lugar que pelo menos uma vez ao ano procuro passar nem que seja um final de semana para voltar a ter determinadas sensações que somente este lugar proporciona. Eu tinha outra foto que acho mais de acordo com o lado "místico" do lugar, mas não encontrei e usei essa acima mesmo. Esse lugar fica distante uns trezentos quilômetros de minha cidade e o que o tornou memorável não foram as atrações naturais do lugar durante o dia, mas algo prosaico, simples, oferecido à noite.
Simplesmente na falta de sono, depois de me distrair assistindo televisão - algo que em casa raramente faço -, e de me pegar rindo desses seriados americanos, ao colocar a cabeça sobre o travesseiro para dormir começo a ouvir os sons vindos da BR que passa em frente, e os sons que mais me fascinam são os sons dos caminhões trafegando e suas freiadas originais.
Aquele movimento noturno me dá a impressão de estar em um lugar tipo "fim do mundo"; parece que estando parado naquele lugar me dá a sensação de estar à parte no mundo; de que o mundo continua a transitar, mesmo à noite e naquele lugar ermo, e por estar naquele lugar àquele momento, tenho uma sensação meio diferente, mas realmente é muito gratificante, só se igualando ao também barulho do mar, quando tem-se a oportunidade de dormir ouvindo o mar.

sábado, 5 de março de 2011

A Vida






Nessa sequencia de fotos temos um "ataque" frontal de um jabuti a uma planta ornamental. Essas imagens podem ser consideradas como algo banal, normal, corriqueiro, sem acarretar um maior interesse a quem está longe de voltar os olhos para o meio natural. Mas aos meus olhos são uma amostra viva de que as relações entre os seres vivos podem nos fazer refletir o quão em termos de evolução nas relações sociais os homens conseguiram alcançar, onde essas mesmas relações sociais se efetuam segundo normas de conduta construídas no decorrer dos tempos, deixando para trás qualquer conduta semelhante ao caso mostrado acima. E confesso que essas imagens mais cedo ou mais tarde seriam postadas, porque as considero um exemplo de como as existências são desenvolvidas no planeta a todo momento, onde de forma visível ou invisível essas relações se desenvolvem mundo afora.
E faço uma comparação de que a vida é isso mesmo, que a despeito da pretensa organização nas relações sociais humanas, qualquer um, a qualquer momento, pode se ver em um momento que foge dos padrões de conduta e da lógica colocada pelos homens a tudo e a todos. Pois segundo pretendem os homens, o mundo deve seguir essa mesma lógica construída para que tudo ocorra segundo o planejado. Mas a vida sempre surpreende. E tomando por base o exemplo acima pode-se compreender como a vida é efêmera, frágil, sujeita aos fatores externos a ela mesma para continuar, ou não, a própria existência. E uma vez confirmada a inevitável fragilidade da vida frente aos inusitados do mundo tem-se várias reações, que vão do desespero ao apego por "sistemas" construídos e que promovam uma ideia de estabilidade necessária ao bom viver.
Mas vejam como a vida dos seres vivos está entregue à própria sorte no mundo, e pensei muito antes de digitar essa reflexão, pois desconfiava e ainda desconfio de que a mesma sendo tomada como uma pilhéria poderia espantar os parcos leitores que julgo ter; mas não me contive e digito com toda a certeza de que a nossa vida, independente da tomada de proteção e de uma lógica construída nas relações humanas, sempre está a depender das relações externas, chegando a se assemelhar ao caso contundente colocado acima em forma de imagens, que podem ser surreais; pois uma planta ornamental estando em um local o mais apropriado possível para a própria existência (um jardim) e mesmo assim aparecer um jabuti, ainda mais sendo um ser totalmente herbívoro a colocar em perigo a própria existência, só poderia ser tido como algo surreal.
Ainda bem que existem outros seres vivos que promovem uma conduta mais afeita às tentativas feitas pelos homens de colocar ordem em tudo. Me refiro às abelhas, que para quem não conhece as relações sociais das mesmas, existe uma casta mais numerosa (operárias) que desde que nascem, se não forem aquela escolhida para ser a rainha responsável pela reprodução da espécie, terá uma vida que aos olhos humanos se assemelham em tudo a uma vida proletária, pois segundo os estudiosos no decorrer da existência e do ganho de experiência dentro da colônia, executam tarefas que vão da limpeza à construção das estruturas externas, são responsáveis pela alimentação da rainha, entre tantas outras tarefas, para finalmente conseguirem chegar ao posto de campeiras, que são as abelhas responsáveis pela coleta do néctar e do pólen nas flores que se encontram fora da colônia.
Aos olhos humanos temos um exemplo de organização social que prima pela organização, onde cada ser executa a sua função sem mais delongas, sem greves (como se referiu o Padre Huberto em seu livro), e aos olhos humanos temos uma chamada "zona de conforto" já explanada em outro post, que seria aquela condição favorável exposta por outros seres vivos, que conduzem a uma sensação de estabilidade e ordem tão necessária aos homens, de acordo com uma lógica construída no decorrer dos tempos.
Mas vou finalizar essa reflexão com uma observação meio que surreal que pode muito bem ser também tomada em tom de pilhéria, mas creio que o exemplo de desapego ofertado pelas abelhas operárias frente a uma falta de interesse de também buscar para si a situação cômoda colocada à rainha, que goza de uma ociosidade e licenciosidade fora do comum no mundo dos insetos, a mesma se dá porque a despeito da carga de trabalho colocado e executado pelas campeiras, essas mesmas compeiras de repente têm uma recompensa que está fora do alcance da rainha e zangões atrelados à mesma, em seus desvarios em termos sociais: as campeiras compensam a falta de um maior "contato animal" com o "contato vegetal" proporcionado pelas flores, que aí, poeticamente, ou literalmente falando promovem uma relação que se vista por uma olhar ameno é apenas uma relação natural de reprodução (da planta) junto a uma relação extrativista (das abelhas), uma se "locupletando" da outra. Mas se olharmos bem, com outros olhos, "olhos poéticos", temos aí uma relação frutífera em todos os sentidos para os seres vivos envolvidos nesta relação animal/vegetal. E aí saímos mais uma vez daqueles parâmetros sempre colocados pelos homens, pois entre uma abelha e uma flor existem mais mistérios do que remete a nossa vã filosofia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

E-book II


Engraçado, ontem começei a digitar algo para o blog no intuito de atualizá-lo e não deixá-lo "parado", e há algum tempo me debruço sobre a questão do e-book, da influência da nova tecnologia e no que trará de novo para os que gostam de se debruçar sobre as palavras escritas, seja na intenção de consumir as mesmas, seja na intenção da simples "produção".
Texto correto, bem postado, seria mais uma bela dissertação sobre um assunto muito em voga. Mas algo me dizia que aquele assunto, tal qual tantos outros que postamos sob uma forma mecânica, seria algo enfadonho, algo que poderia levar a uma constatação precipitada de que seria mais um texto para enaltecer o ego do blogueiro. E o texto enfadonho (Ebook I) ficou de lado, virou um "rascunho" no blog, que talvez um dia me interesse em postá-lo. Mas me aproveitei apenas da ilustração acima que "pesquei" na Internet por falta de uma foto própria.
E me debruçei sobre outras reflexões interessantes, onde o cerne da questão estaria não tanto centralizado no local ou locais em que são feitas as palavras escritas, mas no porquê da necessidade de se escrever ou ter essa maneira de se expressar muito em conta, ao ponto de se transformar no meio preferido ou de predileção de muitos que se arvoram no mundo das palavras escritas.
Outra reflexão bem interessante é a constatação de que só há a "fabricação" de palavras porque são elas uma maneira muito eficaz de se colocar na ordem do dia a necessidade de se comunicar, às vezes até mais consigo próprio do que com terceiros; muitas vezes se torna uma comunicação de si para si, não carregando a virulência da busca pelo poder, como geralmente são as construções humanas; e a construção da palavra escrita não escaparia de tal fundamento.
E mesmo não se chegando em uma conclusão acerca da necessidade de se escrever (ou digitar), até mesmo porque seria mais uma busca enfadonha, pelo menos pode-se constatar que o ato de escrever (ou digitar) é totalmente influenciado pelo mundo em que vivemos, pela existência vivida que carrega nas palavras a experiência de vida e está sujeito às intempéries e felicidades encontradas em cada existência.
Aqui chega-se em uma reflexão importante. Até que ponto as influências do mundo devem sujeitar a escrita? Ou poderiam os "fabricantes de palavras" ficarem imunes ao que acontece ao redor? Ou o ficar ou não ficar imune é que caracterizaria o estilo de cada "fabricante de palavras" e por isso mesmo todos estariam sujeitos a tomar uma posição, mesmo sabendo que ainda existe a posição do "estar em cima do muro"? Ou a escrita deve reconhecer que as experiências exteriores são a matéria-prima inevitável em qualquer composição que se pretenda literária? Ou cada "fabricante de palavras" deve-se abster do controle racional na "fabricação de palavras" e "fabricá-las" não como manda o figurino, mas sempre em um ato evolutivo de constestação eterna, do ir contra a maré sempre, em busca de uma própria identidade?
Pelo visto tive razão em achar aquele primeiro texto que desenvolvi algo chato, mecânico, pois a discussão sobre a "produção de palavras" sempre será mais rica e abrangente do que o local "visível" ao qual as mesmas se destinam.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mata Atlântica à Esquerda


Não vem ao caso o local desta Mata Atlântica, mas descrever o significado da inspiração provocada pela Mata Atlântica, que em meu estado se encontra nas porções restritas dos relevos mais elevados em termos geográficos.
Já aconteceu de me encontrar subindo esse relevo pela rodovia existente e me inspirar pela paisagem e clima à volta, chegando a me transportar espiritualmente para uma época em que era um garoto e que aquela imagem em volta se associava plenamente naquele momento. Me via nas famosas curvas da Estrada de Santos cantada em verso e prosa e me imaginava na atmosfera cultural daquele tempo.
As curvas da Estrada de Santos viria a conhecer alguns anos mais tarde, e essas curvas traziam, realmente, muita Mata Atlântica e muitos túneis naquele relevo acidentado.

Imagens


Sendo um blog que tem como proposta oferecer imagens de um pretenso fotógrafo amador, essa imagem acima pode ser interpretada sob vários prismas, porque as nuvens são famosas por permitirem que se veja através dos formatos que as mesmas constroem, uma variedade de interpretações visuais.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Horizonte Azul


Essa foto foi feita em 2009 a partir de um mirante localizado no Sudeste e retrata a condição sempre presente de em alguns momentos nos elevarmos espiritualmente, e nem sempre quer dizer - para se conquistar essa visão -, caminhar ou trafegar literalmente em um relevo mais elevado em termos geográficos, mas ter uma perspectiva elevada de si sobre o mundo, quando numa visão atemporal conseguimos sobrepor a visão temporal.
Coisas extraordinárias acontecem em ambientes mais elevados em termos geográficos, principalmente quando se trafega por esses meios com uma perspectiva já construída ou desenvolvida. Até mesmo sob um prisma bíblico tem-se essa importância dos relevos mais altos para a espiritualidade; e daí que sobressai uma visão mais elevada do que a que temos no reduto da planície, uma visão mais de acordo com as coisas do Alto.
O "verde" entra apenas como um aliado na construção dessa perspectiva, ou conquista dita espiritual, servindo de "instrumento", levando em consideração de que há uma intervenção do Criador, que Se utiliza da própria criação ("verde") para mostrar uma Caminhada além do próprio "verde".

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Visão


Numa manhã de domindo, logo cedo, é possível refletir sobre as visões de mundo sendo contruídas ou alicerçadas a partir do local geográfico em que se encontram os homens, pois nesse dia em especial, de pouco movimento urbano, tem-se uma semelhança de ambientes.
A visão do homem do sertão, ou do homem que vive em um contexto mais rural é uma visão construída a partir do contato direto com os elementos naturais, pois desde que acorda o sol parece ser o despertador natural, que junto ao galo que canta remete à lembrança de que um novo dia está a acontecer. E o tempo corre diferente. Como também os afazeres são diferentes. E o contato com os elementos naturais continuam dia afora, pois temos que há a ordenha do leite, há o capinar do campo para a preparação do solo, e uma gama de afazeres em que os elementos naturais ficam ao lado, numa relação direta de contato. E o homem que vive no campo acaba, por sua vez, ganhando uma experiência precoce em termos espirituais, ao ter um estilo de vida que está em contato direto com os elementos naturais.
Ao passo que os homens urbanos têm como base o que propagam os números, o que propaga a mídia, o salário, o lucro, toda uma produção que faz com que os olhos dos homens urbanos estejam voltados diuturnamente para esses elementos.
O homem do campo tem as árvores, que são uma "propaganda" dos frutos que elas armazenam. O homem urbano tem os letreiros luminosos a lembrar dos produtos a serem consumidos.
Em qual dessas visões haverá uma maior possibilidade de abertura para uma visão Macro do mundo e da vida?