terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Montanhas e Lembranças



Sempre gostei das montanhas, que também são chamadas de serras. E esse encanto pelas serras talvez tenha nascido no tempo de menino, quando passava as férias na casa de parentes no interior do estado em que o quintal da casa onde nos hospedávamos acabava numa serra, ou a serra começava a partir dos quintais das casas. E no cume daquela serra havia um Cruzeiro que nunca tive a oportunidade de visitar, dada a minha curiosidade que era fomentada pela aventura da escalada daquela encosta. Mas meu pai nunca permitiu, alegando que nas trilhas haviam cobras. Um dia ainda irei escalar aquela serra.
Na mesma casa, numa manhã meio que fria com cheiro de café torrado e moído na hora e levado ao fogão à lenha, abri a porta que dava para a rua e olhei para as serras ao longe e me chamou a atenção que nos cumes das mesmas houvesse algo branco, parado, parecendo nuvens, mas que tão paradas no mesmo lugar, só poderia ser neve. Na minha imaginação infantil de então, regada pelos filmes da TV, aquilo só poderia ser neve, o que foi confirmado por um primo mais velho que não teve coragem de desfazer o brilho no olhar do primo mais novo.
E muitas serras vieram durante a minha vida. Umas mágicas, outras fascinantes, e mais outras inesquecíveis. A serra é uma parte do relevo que realmente me chama a atenção.
Poderia descrever cada particularidade em algumas serras especiais que visitei, mas que de repente se tornaria enfadonho e cansativo lembrar e descrever nesse blog. Mas além de serem uma parte do relevo que ganha destaque, um dia me deparei com a constatação de que montes, montanhas, lugares mais altos em termos geográficos sempre foram lugares em que acontecimentos extraordinários, espiritualmente e religiosamente falando, teriam a predileção de acontecer, levando em consideração as narrativas bíblicas.
Nesse contexto da espiritualidade, poderíamos levar em consideração os lugares mais altos em termos geográficos apenas como um simbolismo, algo como a significar ou simbolizar que os lugares mais altos estariam mais próximos do céu, tendo, assim, essa maior afinidade e facilidade de acontecerem fatos extraordinários. Mas pelo que podemos constatar, lugares mais altos carregam literalmente essa capacidade de fornecer momentos afeitos à espiritualidade. Então, estar em uma serra, além do deslumbre com a riqueza natural temos uma possibilidade maior de adentrar numa perspectiva mais afeita à espiritualidade.
Apenas um texto "confeccionado" nesse instante, como lembrança boa do tempo de menino e das aventuranças.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Jardim



As fotos acima foram feitas em dois momentos diferentes, em dois locais distantes um do outro, e apenas servem para figurar uma reflexão sobre a necessidade, ou a oportunidade conferida àqueles que de repente olham para o jardim - um local que a princípio seria apenas um acessório da residência -, e encontram um paraíso escondido. Coisas fantásticas acontecem nos jardins.
Conheço pessoas que descobriram no jardim - ou no quintal -, paraísos escondidos que de alguma maneira proporcionaram e ainda proporcionam momentos ímpares em termos contemplativos. E essa minha observação foi construída através de uma convivência direta - e na maioria da vezes indireta -, com algumas dessas pessoas que me inspiraram a escrever o meu último livro, que nasceu dessa minha observação agregada a experiências mais diretas em termos de espiritualidade.
E uma dessas inspirações vem de longe no tempo. Lembro que li um livro sobre a abelha Jataí de um autor que se propôs a escrever sobre a mesma, e da leitura agradável e abrangente em termos de meliponicultura guardei um momento em que o autor relatava que seu interesse pelas abelhas nasceu de forma espontânea; quando em um belo dia se deu conta que uma colônia havia se instalado em um cogumelo ornamental feito de alvenaria, no qual a entrada das abelhas se deu através do furo destinado ao fio elétrico responsável pela iluminação da peça ornamental. A partir daí as suas atenções se voltaram para aquele povo alado e nasceu, de pronto, mais um meliponicultor ativo e atuante.
A descoberta dessa visão micro nos faria transportar para um outro mundo diferente, com leis próprias, naturais, seguindo um ritmo certo, sem sobressaltos. E pode até haver um "transporte" literal, onde a inspiração de determinado estilo de vida ofertada por seres sociais que seguem certa ordem organizada - aos olhos humanos -, influenciariam sobremaneira na nossa visão de mundo, onde do micro teríamos a abertura para o Macro.
O interessante nessa reflexão não é a meliponicultura, ou as abelhas e seu modo de vida, mas a constatação de que ao homem é dado o mecanismo da razão que regaria a contemplação, acontecendo um "transporte" e a conquista de uma saída, que no caso seria a constatação da vida acontecendo em uma escala diminuta, em um pequeno espaço, servindo de ancoradouro, ou zona de conforto. Daí que, como pretensa conclusão temos que todos têm a sua chamada "zona de conforto", mesmo que não reconhecida como tal. E o reconhecimento da existência das chamadas "zonas de conforto" promovem a capacidade - através desse reconhecimento -, de que estamos ou estaríamos em uma delas. Daí que consegue-se - através desse reconhecimento -, uma facilidade maior para nos transportarmos de uma zona de conforto para outra até que finalmente possamos chegar naquela que preencha essa necessidade humana de seguir determinados parâmetros como guias a mostrarem uma conduta que satisfaça a conquista das necessidades, básicas, ou não. E creio que depois de certa idade as conquistas acabam, de um jeito ou de outro, saindo do âmbito material para o âmbito espiritual. E nesse caso os jardins se prestam muito bem a isso em um primeiro momento, tendo um papel coadjuvante no enriquecimento espiritual.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um Meliponário




Esse meliponário pode nos dar uma ideia de que qualquer lugar um pouco mais arborizado pode ser um ótimo local para instalar algumas colônias de abelhas sem-ferrão.
Visualizei esse meliponário em um outro estado e realmente a simplicidade nas instalações produz uma beleza sem igual. O responsável pelo lugar tratou até de colocar uma flores estilizadas no apoio principal das caixas, rente ao chão, para mostrar a relação entre flores e abelhas. Vale a pena se inspirar em tais imagens.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Camarada Sanhaço




Se existe um pássaro que me remete de forma instantânea ao meu tempo de garoto é esse aí de cima, que apesar de não emitir um canto melódico, pois é um escandaloso por natureza, exibe na sua algazarra uma alegria de viver.
Lembro-me que certa vez apareceu no quintal de minha casa um desses pássaros que eram atraentes não tanto pelo "canto", mas pela cor meio que azul, pois azul (apesar de eu ser "verde") sempre fora a minha cor preferida. E esse pássaro era diferente dos outros que apareciam vez ou outra naquele quintal. Não sei se era pelo fato de ser um filhote, ou porque a fome "falou" mais alto, mas o Sanhaço acabou sendo meu animal de estimação. Simplesmente ele abria o bico meio que ameaçador, "rosnando" como se fosse para o ataque, e eu colocava um pedaço de fruta que ele engolia com gosto. E ficou a lembrança, e outro dia tirei essas fotos de um deles que ainda aparecem, mesmo que em um meio totalmente urbano, e finalmente consegui "congelar" a imagem desse camarada e colocar nesse blog tudo a ver.

Trajetória Verde


Muitos, por se verem inseridos em um ciclo vicioso de estar sempre tentando galgar conquistas e terem um noção de que esse "galgar" pode se tornar a razão da própria existência, sendo uma conduta danosa, principalmente para si mesmo, provocando nessa forma de trafegar no mundo um desgaste do próprio organismo de forma precoce, acabam, em algum momento da vida voltando os olhos para as "coisas naturais". E essa visão pode ser entendida sob vários aspectos, pois vai desde caminhadas em praças, áreas verdes; passando por uma busca por uma alimentação mais saudável em que no prato os vegetais ganham destaque; o desenvolvimento de uma espiritualidade vinda do oriente, como a observada na filosofia budista; e um estilo de vida que é observado como forma de ser um caminho alternativo para fazer frente ao estilo anterior, ou pelo menos haver uma melhor convivência no estilo anterior de vida, onde o resultado final seria a tão falada qualidade de vida.

Acho válido e compreendo que muitos só procuram "olhar para o horizonte" quando, geralmente, o barco está querendo afundar no sentido de que o organismo possa dar algum sinal de desgaste ante os estresses habituais. Então há, por parte de muitos seres urbanos, essa nítida procura em algum momento de suas vidas, e isso acontece de forma genérica, em todas as classes sociais.

E a minha reflexão recai na observação de que é necessário a esses seres, ou a muitos desses seres urbanos passar por etapas que estão mais à mão, pois os que possuem uma maior gama de informação geralmente passam por essas etapas. E creio que conhecer a si mesmo começa por saber que realmente "somos o que comemos", que os alimentos têm sim, um importante papel na manutenção e "aspecto final" dos nossos organismos.

Passada a etapa do conhecimento da importância de haver uma observação quanto ao que ingerimos, há, ou deveria haver, uma abertura maior para o que as plantas nos fornecem, pois além de nos nutrir direta ou indiretamente, pode-se ter a visão abstrata que as mesmas fornecem, e por essa "visão abstrata" entendam como a possibilidade de vislumbrar o Além.

Religiões orientais têm, em sua maioria, o seu alicerce montado a partir dessa visão, e aqui vejo a necessidade de se passar por etapas de contemplação, ou de percepção, até porque essas religiões, mesmo sendo caminhos alternativos, têm a sua razão de ser e podem fornecer os elementos espirituais necessários para a observação do Todo.

Mas aí pode-se passar por mais essa etapa de contemplação de observar religiões tidas como exóticas, pois são oriundas de outras culturas, e finalmente começar a observar a religião da nossa cultura ocidental, que mesmo proveniente do Oriente fora construída e levada adiante devido a uma Intervenção Direta do Criador, sendo mesmo um dos alicerces do nosso mundo ocidental.

Resumo da ópera: seja "verde", mas que o verde não se torne a cor única da vida, apenas uma cor como qualquer outra, que mesmo sendo especial não pode, enquanto criação, fazer frente ao Criador, ou substituir o Criador.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Bonsai Seria Ético?


No que pese o meu respeito à cultura oriental (já que o bonsai faz parte da cultura japonesa e chinesa) e mesmo sendo um admirador de tais culturas, vou apenas discorrer sobre uma questão que depois de entender direito sobre as técnicas utilizadas para a obtenção de um bonsai é que me dei conta que uma intervenção em um planta para a mesma propiciar um resultado bonito aos olhos pode ser algo antinatural ao extremo.
Houve um tempo em que devido ao meu interesse pelo mundo das abelhas sem-ferrão, esse interesse me levou a ver as plantas com outros olhos. E o bonsai fatalmente entraria no rol das plantas cultiváveis e acessíveis para tais abelhas. E ainda tentei cultivar uns bonsais desde uma muda de planta, geralmente frutífera, para treinar a tão conhecida paciência oriental e ter ao alcance dos olhos uma parte da natureza que poderia até mesmo ficar no interior de casa. Essas tentativas não lograram êxito, pois as mudas sempre morriam. Talvez por falta de um adubo, ou por não conseguir fazer o corte das raízes no momento certo.
Tirando qualquer imbróglio numa vertente mais ligada à espiritualidade que mais tarde também pesaria na questão, abandonei a ideia de sequer adquirir um bonsai "adulto" por considerar que os meios empregados para cultivá-los poderiam ser totalmente tomados como uma forma de tortura, pois arames são empregados como meio de contenção do crescimento do tronco e dos caules.
Mesmo assim, ler um pouco sobre os bonsais nos traz um tipo de conhecimento que era uma das razões para o desenvolvimento e manutenção dos mesmos. Há uma lenda dando conta que a origem dos bonsais deveu-se à observação de pequenas árvores que se encontravam nos cumes das montanhas e devido à ação dos fortes ventos aliado a um solo pedregoso e difícil para desenvolver raízes, já que os altos cumes das montranhas geralmente apresentam esse tipo de relevo, essas pequenas e belas plantas seriam consideradas como um exemplo de beleza e por isso dignas de serem replantadas em bandejas e usadas como um objeto a ser contemplado.
A foto acima foi feita a partir de meu aparelho celular que não possui uma resolução muito boa em uma feira de plantas ornamentais que sem querer me deparei.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um "verde" na Estrada


Essa foto foi feita em 2007, quando da volta de um passeio à divisa do estado distante quatrocentos quilômetros. E se na ida tivemos várias paisagens se descortinando à frente e aos lados, na volta, em outro horário do dia e outras luzes naturais, temos novas paisagens.
Uma paisagem desta monta como a retratada na foto acima merecia que o carro estacionasse com o fito de contemplá-la, numa atitude de tentar perpetuar a imagem que, graças a Deus temos a máquina digital para "congelar" esse momento no tempo e no espaço.
São serras perdidas em meio ao sertão semiárido, que por esse tempo, devido estar em janeiro e no período chuvoso, não mostrava a cor cinza predominante, mas um verde que se perdia de vista.
Esse tipo de vegetação é característica do sertão nordestino, e segundo um livro que li há muito tempo, um livro de Geografia, assemelha-se à savana africana.